Curadoria de Lara Maia
Para sua participação inaugural na SP-Arte 2026, a MITS Galeria apresenta um estande que articula a produção recente de seus artistas em diálogo com obras de acervo histórico, propondo uma leitura composta por diferentes temporalidades. Atuando nos mercados primário e secundário, a galeria orienta sua atuação pela ampliação do circuito artístico tradicional, com ênfase na formação de novos públicos, no fortalecimento de relações mais horizontais e na construção de um programa conectado e atento às transformações do presente.
O estande está estruturado em torno das noções de imagem, gesto e superfície, propondo uma leitura transversal entre gerações e modos de produção distintos, evidenciando continuidades e fricções entre práticas contemporâneas e investigações que marcaram a história da arte brasileira e internacional.
A imagem opera como construção simbólica nas pinturas de Pegge, nas quais som, memória e matéria se entrelaçam em uma mitologia visual própria. A gestualidade permeia as pesquisas de Anna Maria Maiolino, Mira Schendel e Toia Tostes, nas quais o fazer, o corpo e a presença se afirmam como linguagem. Já a superfície se apresenta como campo expandido nas investigações de Thiago Almeida (TAF), Shaolin Shabba Shao e Daniel Arsham, que exploram a materialidade como processo e a presença física do objeto como dimensão constitutiva da obra.
Ao conectar linguagens e temporalidades, a seleção situa novos talentos em diálogo com obras históricas consolidadas, reafirmando a abordagem curatorial da galeria. Mais do que estabelecer contrastes, o estande propõe uma conexão atemporal da arte contemporânea, no qual passado e presente se atravessam.

